SONHADOR
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Quando necessito eu grito,
corro e me perco neste mundo.
Sou solitário, desejo o sublime
e profundo... Amor...
Monotonia constante,
olhar penetrante, fogo a arder.
Tenho carícias no gesto,
detesto tudo o que quer ofender.
Só me resta o delírio
de sempre pensar em você, amor.
Realidade tão bela,
orgulhosa e singela,
talhe em flor.
Miragem, imagem,
restante da graça de um sonhador.
Só me resta o delírio
de sempre pensar em você, amor.
Miragem, imagem,
restante da graça de um sonhador,
de um sonhador, de um sonhador,
de um sonhador.
4 de setembro de 2026
SONHADOR
UMA MENINA SIMPLESMENTE MULHER
UMA MENINA SIMPLESMENTE MULHER
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Uma menina simplesmente mulher,
de olhar traiçoeiro,
de corpo fagueiro.
Com um pouco de nada,
um resto de tudo.
Na beleza assanhada
um gesto ladino.
Tem no amor desatino
e uma vergonha ocultada.
Suas tranças sem fitas,
seus lábios sedosos,
os dedos carinhosos
e um ar de felicidade.
Calculando a idade
tem um jeito tão louco,
de pureza um pouco
onde se resume essa dor
que me invade.
E todo encanto
penetra e flutua,
deixando a alma nua.
Menina simplesmente mulher.
3 de setembro de 2026
LABUTA
LABUTA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Vê se sente essa covardia
que habita em mim.
Vê se lembra do meu gozo
que um dia teve fim.
Mas não chore.
A vida tem suas manias,
tudo passa, qualquer hora
virão novas alegrias.
É tão doce essa aventura
de galgar tantos degraus.
De sentir imensa doçura
nesse amor que vai ao caos.
Chegou ao fim...
Dói até o pensamento,
me corrói um sentimento
ruim.
Vê se sente essa covardia
que habita em mim.
No meu rosto mascarado
busco esconder a desilusão.
O vivido hoje é passado,
tudo em volta ecoa o não.
Mas é assim...
Essa morte repentina
só confunde e ilumina,
enfim...
Vê se sente essa covardia
que habita em mim.
2 de setembro de 2026
CANÇÃO QUE FIZ PRA VOCÊ
CANÇÃO QUE FIZ PRA VOCÊ
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Hora de acordar,
despertar a manhã.
Jeito de ser
talvez melhor
do que já fui.
Peito aberto
recebe a luz
do teu olhar.
Jeito de ser
talvez melhor
do que já fui.
Ah, eu te amo
e me perdi
pra te encontrar.
Foge comigo,
vem viver
em perigo,
colher o trigo
e o sol.
Plantar nas coisas
a presença da vida,
cantar o dia
que nasceu.
Solto ao vento a caminhar,
cabelo a embaraçar
e a noite por chegar,
mil estrelas pra contar,
vem a lua a clarear,
me esquecendo de lembrar,
me lembrando de esquecer
você.
Hora de acordar,
despertar a manhã.
FILOSOFANDO
FILOSOFANDO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Uma coisa é incompleta
se não completa outra coisa.
Cabeça feita nesse universo,
que é o inverso das pessoas.
Todo cuidado, muito obrigado,
pouco importa essa revolta.
Pode parecer pura bobagem,
essa tua imagem é uma miragem.
De que vale o nome liberdade
se há preconceito com o ser livre.
Deve ser difícil na verdade,
mas toda mentira é falsidade,
Sou ovelha negra no rebanho,
ser ovelha branca é algo estranho.
Vou repetir
tudo o que disse
e só confundi,
mas esclareci
que o entendimento
depende de todos
a partir de nós.
1 de setembro de 2026
VARIAÇÕES EM TORNO DE MIM
VARIAÇÕES EM TORNO DE MIM
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Pensem no silêncio do meu nome,
mato a sede, resta a fome
e a liberdade desconheceu o chão,
emigrante da solidão.
Onde penetrei o tempo ausente,
esquecido, inconsciente,
e desvendei a tristeza do meu momento,
nos olhos do pensamento.
Já forcei meus braços,
chorei sorrindo e me confundi.
Canto as variações,
sei que não mudei
no que vivi.
Já dormi no ponto,
pedi desculpas
e me expliquei.
Vivo do imprevisto,
sigo e não desisto,
da verdade não sei.
Nada do que posso
faz saltar a alegria,
faz mover a poesia
do que está em mim,
silêncio que não tem fim.
Nada do que sei me realiza,
só me enerva, não tranquiliza,
vou procurar a terra prometida
em busca de outra vida.
Já cansei de ser
ave limitada
nesse viver.
Basta de monotonia,
quero estar em mim
no dia após dia.
Vê se te apressa,
pois esquecer
é sempre padecer.
Lembra dos olhos meus,
eu vou partir,
até breve,
adeus.
CANÇÃO DE MUITAS FACES
CANÇÃO DE MUITAS FACES
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Cada qual sentindo
o peso da consciência,
vivendo ao sol do tempo
da inconsequência.
Nessa margem plácida
divido meu passado.
Me desculpe a culpa
de inocentar o culpado.
Toda essa franqueza
resumindo a fraqueza.
Sei que estou completo,
se errei, hoje acerto.
Cada qual descendo
no solo da vida,
ressentida,
encontrando a paz
que deixou
para trás.
Cada qual seguindo
o rumo indefinido.
Nada mais me consta
vou vivendo nesse sentido.
Atravesso sempre
a mesma estrada
sem atalho.
Penetrando escuro
no silêncio
do barulho.
Reagindo exausto,
perseguindo o teu encalço.
Perdendo o motivo,
quando amei, fui de briga.
Cada qual perdendo
o que nunca encontrou,
se tentou.
Odiando a raiva
na tristeza
de sentir tanta dor.
29 de agosto de 2026
DOCE OLHAR
DOCE OLHAR
Música: Theo Bylla
Letra: Flávio Almeida
Doce olhar de quem me vê assim
à procura de um lugar.
Vou seguindo a vida até o fim,
onde chego a me encontrar.
REFRÃO
Se bastasse a dor do que ficou
na esperança de voltar.
Hoje vejo o que é o coração,
quando ama quer me maltratar.
Quando chegar o momento
do silêncio e da certeza,
serei triste alegremente,
hei de alegrar minha tristeza.
REFRÃO
Mais que toda liberdade
de um desejo mais presente,
vou sentir felicidade
nesse encontro sempre ausente.
REFRÃO
Doce olhar de quem me vê assim...
28 de agosto de 2026
LARANJEIRA
LARANJEIRA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Laranjeira em flor,
pareces o meu amor.
Tens um perfume perene,
felicidade brejeira,
és meu amor,
laranjeira.
Pássaros que voam,
tuas asas me magoam,
levam o meu sentimento.
Quisera ter esse dom,
deve ser tão bom.
Laranjeira em flor,
pareces o meu amor.
Túneis de escuridão,
anéis de solidão,
morrer é fim.
Adeus, chegou a hora,
o nunca é agora.
Laranjeira em flor,
pareces o meu amor.
Tens um perfume perene,
felicidade brejeira,
és meu amor, laranjeira
em flor.
26 de agosto de 2026
PEDRA BRILHANTE
PEDRA BRILHANTE
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Pedra brilhante,
claro evidente,
tesouro urgente
na posse do ser.
Fernão Capelo,
não és gaivota,
o medo importa,
suporta sofrer.
Minha morena,
pequena cigana,
a gente se engana
na gana do ter.
Nada entre tudo,
tudo, entretanto.
Verbo transitivo,
vogal, consoante.
Duas mil cabeças
num pescoço antigo.
Corpo vertebrado
invertendo o estilo.
Moça senhora,
agora é preciso
criar juízo
à sombra do sol.
O doce da cana
profana quem planta
espanta e encanta
o nosso sabor.
Deus é verdade,
não diga mentira,
a gente se vira
e respira o amor.
E nunca atira
pedra em beija-flor.
CHORÃO
CHORÃO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Choro nesse choro magoado,
um chorinho repicado,
um chorinho bem marcado
no toque do violão,
um jeitinho mais alegre
de sofrer meu coração,
um chorinho que hoje faço
quando abraço meu irmão,
um abraço meu irmão.
Choro de quem faz tudo que pensa,
que descrê da própria crença,
que só perde, quando vence
o medo da solidão,
que só culpa essa desculpa
quando não pede perdão,
que só canta quando encanta
no meio da multidão,
no meio da multidão.
Choro de um sujeito indignado,
de um sujeito agoniado,
que apesar de sufocado
quer dar sua opinião.
Diz pelo sim, diz pelo não,
só tem mutreta e penacho de pavão,
muita carreta abarrotada de cifrão.
Tem gente eleita beliscando seu quinhão.
É federal a fatureba, a transação.
Faz vista grossa se és homem de visão,
nem mesmo o Chico segurou esse rojão.
25 de agosto de 2026
NARCISO
NARCISO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Além da luz de minha dimensão,
imensa é a força do olhar,
que ao me ver eu vejo a imensidão,
mas tenho asas e não sei voar.
Eu vejo o que desejo perceber
e através de mim ser o que sou.
Ao que reflete a luz compete ser
a imagem no espelho em que se mirou.
Olha, Narciso,
não é preciso
fazer cara feia,
deixa essa ideia pra lá,
deixa pra lá.
Veja, Narciso,
leia o aviso,
cria juízo,
seu paraíso sou eu,
sou eu.
BALADA DO CORAÇÃO REAL
BALADA DO CORAÇÃO REAL
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Pelos caminhos que eu caminhar
com meu amor quero ir.
Não vou sozinho,
feliz hei de estar.
Ah! Se eu soubesse,
pudesse voar.
Eu voaria no céu de teu ser
- como é azul nosso amor.
Ave! Palavra,
traduz o que diz,
anunciando a manhã.
Os nossos corpos sedentos de sol,
vão refazer nossas coisas.
Foi um prazer te rever,
te encontrar, meu bem.
Achei bonito alguém me dizer:
- O coração é real.
Gosto de sal, saudade me traz
- quero um mar de paz.
Ter na cabeça os versos que eu fiz,
quero também ser feliz.
Quem me conhece,
não sabe quem sou
- maior mistério é viver.
Estou por perto,
porém longe vou,
meu pensamento é distante.
Quero do amor teu amor,
meu amor não me deixes
sofrer.
ANTES AGORA QUE DEPOIS
ANTES AGORA QUE DEPOIS
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Sofro e reparto
dor e amor.
Eu sei quem fui,
não sei quem sou,
antes agora de que depois.
Canto o silêncio
desse instante.
Sei que estou
e sigo adiante
sempre em busca de alguém.
A vida se esquece
de tudo que vive.
Estou necessitando
do amor que não tive,
pra fundamentar
meu tempo na Terra
e voltar a ser pó.
A pátria é meu sonho,
meu braço a razão.
Meu peito azul
é lavoura do ser,
que vaga em mim
e continua a viver.
E meu limite começa
em teu corpo.
E planta a semente
da fome valente,
e atormenta o espírito
da carne ausente.
Trago o pensamento
na brisa da manhã,
paciente, dúbia, calmamente,
passageira e completa.
Nada é motivo
de tua inconstância.
Nada é real
ao esquecer o passado,
sou mais do presente,
de não saber quem sou,
nem pra onde vou.
23 de agosto de 2026
BELO HORIZONTE
BELO HORIZONTE
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Primavera,
vera, vera, vera, veremos
o inverno, o outono
e um sol de verão.
Horizonte belo,
Belo Horizonte,
um concreto armado
no meu coração.
Poderosa, rosa,
rosa poderosa,
flor da ilusão.
Primavera,
vera, vera, vera, veremos
o inverno, o outono
e um sol de verão.
Horizonte belo
Belo Horizonte,
cidade feliz,
mas que felicidade.
Primavera,
vera, vera, vera, veremos
a solidão,
a solidão.
CANTORIA
CANTORIA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Minha viola chora meu canto.
Não sou porém nem sou portanto.
Sei que estou e vou procurando
paz e amor e o Mundo guerreando.
Calça US Top, indigo blue,
e Bob Dylan, “blowing in the wind” .
Em Sol maior desbravo o que faço,
se parto não fico, se fico não passo.
Minha alegria é um tanto incerta.
Minha tristeza ficou deserta.
Abaixo assino, encerro o que falei.
My country music, lay lady lay,
lay lady lay.
How many roads must a man walk down.
Lay, lady, lay, lay across my big brass bed.
22 de agosto de 2026
SANGUE E PUNHAL
SANGUE E PUNHAL
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
O sabor moreno e claro,
a cor amarga e doce,
a saudade, um sangue exilado.
O olhar distante e raro,
sou como nunca se fosse,
a saudade, um punhal cravado.
O sabor moreno e claro,
o olhar distante e raro,
a cor amarga e doce,
sou como nunca se fosse,
a saudade, um sangue exilado,
a saudade, um punhal cravado,
a saudade, um sangue exilado,
a saudade, um punhal cravado.
20 de agosto de 2026
A VOLTA
A VOLTA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Ele um dia vai chegar
pelo brilho de uma luz,
pilotando um asteroide azul,
feito anjo que caiu do céu.
Viajante estelar,
virá de qualquer lugar
do universo em expansão,
seu invento e criação.
Ele é o sonho livre dos filhos,
é o deus sol dos brilhos,
luz no orvalho da flor.
Cega os olhos de tanto esplendor.
Vai mandar quebrar os espelhos,
de seus olhos vermelhos
vai brotar uma cor,
qualquer uma que seja incolor.
Vai crucificar os meninos,
vai saber o destino
que a vida levou.
Vai mudar os rumos do amor.
Ele tem dentro de si
uma coisa irreal,
que parece um raio de sol,
o que faz a noite ser manhã.
Vai dar medo ao saber
que você paga pra ver
o começo do seu fim.
Por que tudo é assim?
Vai quebrar a flor dos encantos,
as imagens dos santos
que o homem criou.
Quanta grana o homem lucrou?
Vai pregar a fé da ciência,
a presença da ausência
de tudo que deixou,
renegando tudo o que falou.
Vai tentar dizer o indizível,
vai fazer o impossível,
seja lá como for.
Vai partir assim como chegou.
Ele um dia vai chegar.
Vai partir assim como chegou.
HIROSHIMA
HIROSHIMA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Deixo bem claro
que não tenho sombra
e o teu Deus
é a minha criação,
a tua vida
depende da alma
e a tua luta
nem sempre tem fim.
Fica a certeza
que tudo é incerto.
O sol aquece,
não posso esquecer.
O teu momento
encontrou o perdido,
se amanhece
vem outro anoitecer.
Cada homem é a união,
filho dessa mesma solidão.
Cada grito é uma revolução.
Evoluir não é conspiração.
Somos estátuas
no barro da terra.
O verbo é alfa,
ômega sou eu.
Tudo não passa
de um lance de dados.
Foi ao acaso
que a coisa aconteceu.
Fomos a ave
cheia de graça.
Eu era a bomba,
em vão explodi.
És o caminho,
a verdade, a morte.
Em Hiroshima
foi que renasci.
19 de agosto de 2026
TREM DE FERRO
TREM DE FERRO
Música: Geraldo Borges
Letra: Flávio Almeida
Chega o trem de ferro,
dá um berro na estação.
Linhas paralelas
são os trilhos pelo chão.
Passa o passageiro
passaporte em sua mão.
Leva na viagem
a bagagem da ilusão.
É tanta saudade
enche mais de um vagão.
E no bate-bate
rebate café-com-pão.
E no bate-bate
rebate café-com-pão.
Manteiga não,
manteiga não,
manteiga não...
Olha o trem de ferro,
outro berro vai sair.
Velho maquinista acenando:
- Vai partir!
Quem está ficando
está vendo alguém seguir.
Quem está chorando
qualquer dia vai sorrir.
E no corre-corre
vai parar em Pitangui.
Bora Pirapora
Catiara Bambuí.
Salitre Folhados
Ibiá Araguari.
Em Celso Bueno
Patrocínio Piumhi.
Uí uí uí uí...
17 de agosto de 2026
MENINA DOS OLHOS
MENINA DOS OLHOS
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Uma coisa no ar, no olhar,
nessa canção.
O prazer de chegar e sorrir,
o prazer de ficar e pedir
que você seja sempre assim.
Vejo em seus olhos, menina,
chegadas, partidas, caminhos sem fim.
Mas se você não me vê,
não tem nada a ver, olhos pra quê?
Minha menina dos olhos,
morena, a vida espera por nós.
Vamos viver o momento,
soltando ao vento o amor e a voz.
Se você quiser saber
o que eu sinto ao cantar,
olhe bem para você,
ouça o som do seu olhar.
MALDITA DROGA
MALDITA DROGA
Letra e música: Flávio Almeida
Mataram um menino.
(A morte está em voga).
“Era esse seu destino”.
“Ele mexia com droga”.
Era um pobre infeliz.
A vida, com estes, joga.
“Morreu na Praça Matriz”.
“Morto por conta de droga”.
“Estava perdido e doente?”
(A realidade interroga).
“Sim, era um dependente”.
“Um dependente de droga”.
Mataram um pobre menino.
Essa dor ninguém revoga.
“Então selou seu destino,
só porque mexia com droga?”
Mataram ali na esquina.
(Sua causa quem advoga)?
“Por crack ou cocaína?”
“Só sei que foi por droga”.
Traficante ou consumidor,
sua pena não se prorroga.
“Era um menor infrator”.
“O que o matou foi a droga”.
Sem nenhum tratamento.
A sociedade não dialoga.
“Já parece sem sentimento”.
“Uma boa desculpa: a droga”.
Seu pai cai em desatino.
Sua mãe em dor se afoga.
“Era só o meu menino”.
“Meu filho... Maldita droga”.
O PALHAÇO
O PALHAÇO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
O palhaço pinta a cara,
veste a roupa colorida,
calça ao contrário o sapato,
nariz engraçado,
da gravata nem se fala,
deita e rola, é homem bala,
cospe fogo, faz um escarcéu.
Só que a lona é inflamável
e o fogo incontrolável,
meu Deus, que fogaréu.
Adeus,
Circo Beleléu.
Quando falo de tristeza
tenho medo de ser triste
como o velho palhaço,
palhaço sem circo,
que achou graça da fumaça,
da fumaça tão sem graça
no picadeiro que se queimou.
Quando o circo veio abaixo,
com escracho o palhaço sorriu
e depois chorou.
Sorriu
e depois chorou.
15 de agosto de 2026
MEU BEM FOI MAL
MEU BEM FOI MAL
Música e interpretação: Sérgio Manto Abreu
Letra: Flávio Almeida
Meu bem foi mal,
não te fiz bem.
Um bem-bom
que não se deu bem.
Magoada,
nem quiseste ficar de bem.
Não mais ficar de bem,
belém-bem.
Jamais, nunca voltar a ser teu bem.
Nem eu também, que vou ficar bem.
Ainda bem que eu te quis todo bem.
Ainda bem que eu te quis todo bem.
Se o meu coração continua?
Se o meu coração continua?
...
Bem...
14 de agosto de 2026
MENINA MOÇA
MENINA MOÇA
Música: Paula Beatriz
Letra: Flávio Almeida
Saudade não se traduz.
Saudade é um suspirar.
Suspira, menina, suspira,
até lacrimejar o olhar.
Suspira, menina, suspira,
até lacrimejar o olhar.
Lacrimejar de emoção,
tanta coisa pra lembrar.
Tempo de menina-moça,
era doce o seu sonhar.
Sonhadora criatura,
leveza no expressar.
Suspira, menina, respira,
faz da saudade o seu ar.
13 de agosto de 2026
SE EU PUDESSE TE VER TODOS OS DIAS
SE EU PUDESSE TE VER TODOS OS DIAS
Letra e música: Flávio Almeida
Se eu pudesse te ver todos os dias,
se todos os dias eu pudesse te ver,
cessariam no peito as agonias,
anestesiaria em mim meu sofrer.
Se eu pudesse te ver todos os dias,
do acordar até o adormecer.
Em meu olhar tu na certa brilharias,
se todos os dias eu pudesse te ver.
Muita luz, ó meu sol, tu me trarias,
meus olhos gozariam de intenso prazer.
Se eu pudesse te ver todos os dias,
se todos os dias eu pudesse te ver.
CARROSSEL
CARROSSEL
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
A cidade é um carrossel.
Gira e roda e roda e gira tanto.
Você pode até ficar tonta
nesse vai e vem de lá pra cá.
Cada um de nós é um palhaço no picadeiro
a representar o seu papel.
Gira a rodar e roda a girar,
a cidade circo é um carrossel.
A cidade é um carrossel.
Gira e roda e roda e gira tanto.
Você pode até ficar tonta
nesse vai e vem de lá pra cá.
Tanta coisa boa ainda existe pra se ver
debaixo da lona azul do céu.
Roda a girar e gira a rodar,
o circo cidade é um carrossel.
A cidade é um carrossel.
Gira e roda e roda e gira tanto.
Você pode até ficar tonta
nesse vai e vem de lá pra cá.
10 de agosto de 2026
DEPOIS DO ADEUS
DEPOIS DO ADEUS
Letra e música: Flávio Almeida
Agora que um do outro nos perdemos,
que a memória nunca me falhe,
para que eu não esqueça nem um detalhe
de tudo que juntos vivemos.
Porque pior do que o amor se acabar
é não ter do que se lembrar.
Nem saudade, nem pensamento,
quando não mais restar sentimento.
5 de agosto de 2026
TODO SANTO DIA
TODO SANTO DIA
Letra e música: Flávio Almeida
Queria pronunciar palavras
que minha avó sempre dizia.
O que dela a gente escutava
todo santo dia.
Rezei Ave Maria.
Rezei Ave Maria.
Rezei Ave Maria.
Rezei Ave Maria.
ESTRELAS EM TEUS OLHOS
ESTRELAS EM TEUS OLHOS
Letra e música: Flávio Almeida
Para quê sair à noite
para contar estrelas?
Já perdi as contas de quantas,
em teus olhos, dei de vê-las.
E ao capturá-las,
em tuas retinas retive-as,
para tocá-las, surpreendê-las.
Retocadas ao sol,
em tuas íris pintadas
aprendi a prendê-las.
São amarelas, azuis,
brancas, invisíveis,
cintilam infinitas
faíscas vermelhas.
Hei de soltá-las,
soletrá-las,
e, no céu de teu olhar,
colhê-las.
E a ti me revelando,
conhecê-las.
Melhor que contá-las
é sabê-las em ti e tê-las.
1 de agosto de 2026
PEDIDO A SANTA LUZIA
PEDIDO A SANTA LUZIA
Letra e música: Flávio Almeida
Santa Luzia, ô Santa Luzia,
tô cum pobrema pra resolvê.
Mi ajuda, mi alumia,
só a Sinhora pode intercedê.
Eu tô di ôio numa minina
qui nunca óia pra eu.
Ela é luz di minhas retina
e sem ela é tudo brêu.
Ela é uma gracinha,
só nela eu tenho pensado.
Faiz ela mi oiá, Santinha,
e vê meus óio apaixonado.
Santa Luzia, ô Santa Luzia,
mi ajuda, mi alumia.
MUNDOMINAS
MUNDOMINAS
Letra e música: Flávio Almeida
O m de Minas é montanhoso.
O n de Minas noites enluaradas.
O sol nasce e se põe nos ondulados
verde-azulados ancestrais.
A chuva pinga sobre o i de Minas,
gotas barrocas, coloniais.
O a de Minas tem aura de aurora
e o s é solidão, saudade gerais.
26 de julho de 2026
LARI LARÁ
LARI LARÁ
Música: Valter Tim
Letra: Flávio Almeida
Vou dizer que te amo
no lari lará que inventei.
Meu amor de dia é sol,
de noite é lua.
Meu amor é chuva fina,
vento, nuvem, neblina,
diamante que garimpei.
Quando notas que toco
o teu corpo em meu violão.
Vivo triste, mas é doce
o sabor da amargura.
Os acordes dissonantes,
as melodias de antes,
improvisos desafinei.
Este lari lará
improvisei nem sei porquê.
Que simplicidade
estou cantando.
Este lari lará
é meu jeito de dizer:
quero me encontrar,
seguir te amando.
23 de julho de 2026
QUE BOM
QUE BOM
Letra e música: Flávio Almeida
Que bom que você existe.
Que bom que você é assim.
Que bom que você me permite
ser pra você o que você quer de mim.
Ao me deixar ser totalmente seu
me sinto mais eu, meu, e sem fim.
20 de julho de 2026
ROTAÇÃO
ROTAÇÃO
Letra e música: Flávio Almeida
É sempre um sorriso que vem
vento
A Terra apressada no além
lento
A vida que há e não tem
tempo
É Deus que nos quer todo bem
bento
TRISTE NAVEGAR
TRISTE NAVEGAR
Letra e música: Flávio Almeida
Qual água de rio
vejo teu olhar
abarco o desafio
de triste remar
Vou em rodopio
por seu desaguar
te vendo me guio
sem me orientar
Aporto em navio
vou pleno de mar
garrafas envio
pra nenhum lugar
Ao vento me alio
me deixo levar
teu olhar vi-o
a lacrimejar
De lágrimas o rio
sal pranto de mar
em barco e navio
triste navegar
Sem amor estio
vivo a naufragar
marujo arredio
ancorado no ar
17 de julho de 2026
FRANCIISCANDO
FRANCIISCANDO
Letra e música: Flávio Almeida
Onde houver ódio,
que para vencidos e vencedores
não haja pódio.
Onde houver discórdia,
que o discernimento vire bicho
e morde-a.
Onde houver fuxico,
que pau que bate em Francisco
bata em Chico.
15 de julho de 2026
VOCÊ & COMPANHIA
VOCÊ & COMPANHIA
Letra e música: Flávio Almeida
Você se pertence.
Você é sua e de si.
Isso soa nonsense,
mas é isso aí.
Você é de você própria.
De você não tem cópia.
Pode parecer kitsch
dizer que não tem kit,
não tem franchising
(ou franquia).
É você, você e companhia.
Você se pertence.
Você é sua e de si.
Isso soa nonsense,
mas é isso aí.
Você é de você própria.
De você não tem cópia.
Pode parecer kitsch
dizer que não tem kit,
não tem franchising
(ou franquia).
É você, você e companhia.
CIRANDA DA BEM AMADA
CIRANDA DA BEM AMADA
Letra e música: Flávio Almeida
Ora viva
bem amada
pela estrada
vamos nós
De mãos dadas
lado a lado
sempre juntos
nunca sós
Caminhos
caminhadas
não se canse
meu amor
Companheira
de jornada
eu só vou
se você for
13 de julho de 2026
TIM-TIM
TIM-TIM
Letra e música: Flávio Almeida
Eu sempre pensei (pensei),
ela não é pra mim,
pois me enganei,
é sim, é sim, é sim.
Quase bobeei,
ela não tá a fim,
mas agora eu sei,
tá sim, tá sim, tá sim.
Assim bebemorei,
tim-tim, tim-tim, tim-tim.
SÓ
SÓ
Letra e música: Flávio Almeida
Só,
tão só estou,
sozinho vou,
solitário sou,
sem ser
abrigo.
Só,
mais só que o sol,
mais só que Deus,
mais só, só eu,
mais eu e eu
comigo.
Só,
tão só ou mais,
de bem,
de boa,
na paz da paz
sigo.
NO TEMPO DO VAI E VEM
NO TEMPO DO VAI E VEM
Letra e música: Flávio Almeida
No tempo do vai e vem,
eu ia e vinha, você também.
A gente assim se cruzava,
a gente então se olhava,
um ao outro cortejava,
e eu logo já te chamava
de querida, de meu bem.
Depois de tantas flertadas,
cupido dando flechadas,
eis nós dois de mãos dadas.
No tempo do vai e vem
a paquera andava à solta,
mas isso faz tanto tempo,
ninguém mais sabe o tempo
que esse lindo tempo tem.
DEUS É BONZINHO
DEUS É BONZINHO
Letra e música: Flávio Almeida
Tirante o tanto
que me deixa sozinho,
o quanto me faz
me sentir pequenininho.
Não me dar asas
para eu virar passarinho,
não guiar São Francisco
a cruzar meu caminho.
Não me dar comunhão,
corpo-pão, sangue-vinho.
Apesar de toda onipotência,
Deus até que é bonzinho.
Apesar de toda onipotência,
Deus até que é bonzinho.
11 de julho de 2026
FIQUE MAIS
FIQUE MAIS
Letra e música: Flávio Almeida
Você tocou meu coração
com seu olhar.
Você mudou minha visão
com sua paz.
Você chegou e ocupou
um bom lugar.
E agora eu quero
que você fique mais,
e que nunca, jamais,
se vá.
Seja pra sempre o amor
que eu merecer.
E que pra você eu seja
o melhor que eu possa ser.
Que entre nós só a verdade
se faça ouvir.
Seja infinita a liberdade
de nosso sentir,
luz e sensibilidade
nosso existir.
8 de julho de 2026
AMIGO APAIXONADO
AMIGO APAIXONADO
Letra e música: Flávio Almeida
O fato de eu ser teu amigo,
do tipo apaixonado,
será que tem perigo
de evoluir pra namorado,
pra lá e pra cá contigo,
andando lado a lado,
como se meu umbigo
ao teu fosse ligado.
Fica sempre comigo,
sou bem intencionado.
Se não der namoro não ligo,
me dou por conformado.
Sendo teu bom amigo
sei o quanto sou amado.
Sendo teu bom amigo
sei o quanto sou amado.
3 de julho de 2026
ESTÁ PRA NASCER
ESTÁ PRA NASCER
Letra e música: Flávio Almeida
Sim, acho que mudei de cor
quando, quase sem querer,
eu, carregando o meu andor
escutei ela dizer:
Seja lá como for,
ele há de me querer.
Estarei ao seu dispor,
tudo eu hei de fazer.
Sabe, dei muito valor,
mas não pude corresponder.
A ninguém causarei dor,
e no fim amar é sofrer.
Se eu nasci pra ter um amor,
esse amor está pra nascer.
Não foi nada animador,
eu a vi emudecer.
Ou, então, constrangedor,
já que ela não quis entender.
Demonstrou seu amargor,
quer ganhar sem saber perder.
Perdeu aquele frescor
que antes demonstrou ter.
Expeliu, enfim, o bolor,
mostrou o seu jeito de ser,
cega em seu rancor,
só porque a fiz saber:
Se eu nasci pra ter um amor,
esse amor está pra nascer.
Eu lhe disse: Por favor,
acalme-se, o tempo a fará ver.
Eu não quero ser enganador,
nem pretendia te ofender.
O meu não foi avassalador,
transtornada, se viu sem poder,
mas com um ódio destruidor,
que eu até cheguei a temer.
Felizmente o tempo é senhor;
ela ainda vai me agradecer:
casou, tem filhos, um lar protetor,
e eu aqui continuo a dizer:
Se eu nasci pra ter um amor,
esse amor está pra nascer.
30 de junho de 2026
SIM
SIM
Letra e música: Flávio Almeida
Sei que você pensa que não,
mas sim, sim, sim, sim.
De madura a fruta apodrece.
O silêncio nunca ensurdece.
Nem sempre a razão prevalece.
Nem tudo é o que parece.
Nada seria assim.
Sei que você acha que não,
mas sim, sim, sim, sim.
Ter e não ser empobrece.
Idéia fixa endoidece.
Vai indo a gente envelhece.
Tudo passa, mas acontece.
Você ficou e eu nunca vim.
Você diz que pensa em mim.
Cheira pó de pirlimpimpim.
Queixa a falta de dindim.
Quer dar golpes de Shaolin.
Até que ponto isso é ruim?
Sei que você jura que não,
mas sim, sim, sim, sim.
Sem cabeça o corpo padece.
Fingir alegria entristece.
Até quem não merece carece.
Antes não sêsse, mas ésse.
Sonhos com gosto de fim.
Sei que você grita que não,
mas sim, sim, sim, sim.
Deixe que seu filho se expresse.
Sem a fé não adianta prece.
Ver tevê demais emburrece.
Você tá deprê ou é estresse?
Quebrou as taças no tim-tim.
Na frente do altar você diz sim.
Na hora de negar você diz sim.
À mesa do jantar você diz sim.
Às ordens do patrão você diz sim,
sim, sim, sim, sim, sim, sim.
Ou não?
25 de junho de 2026
SAI CHULÉ
SAI CHULÉ
Letra e música: Flávio Almeida
Ela é ela
fica só na dela
sentinela
do que é
Ela atrela
sua clientela
e engambela
com cafuné
Tal donzela
jamais foi costela
ou é vitela
ou filé
Por tabela
se diz a mais bela
da janela
do chalé
REFRÃO
Ô ô ô ô
Ô ô ô ô sai chulé
Ô ô ô ô
Ô ô ô ô do meu pé
Tagarela
boca sem fivela
ou tramela
fala até
Diz balela
e se atropela
na novela
vira ré
Se revela
ser meia tigela
é cadela
ou garnisé
Amarela
tem medo que pela
e se congela
é picolé
REFRÃO
A moça em tela
se descabela
e se nivela
à ralé
Se tudo mela
reza na capela
acende vela
diz ter fé
Me flagela
chega a chinela
mas não sela
seu pangaré
Não dou trela
não penso mais nela
peço até
sai chulé
REFRÃO
O NADA
O NADA
Letra e música: Flávio Almeida
Quando nada nada nada nada existia,
nada nada nada nada nada nada aqui havia.
Nada nada nada nada era primazia,
nada nada nada nada nada Deus fazia.
Tudo na Terra vazia.
Nem o silêncio se ouvia.
O aquém no além se expandia.
A flor de Eros se abria.
Estrela d’Alva tardia.
Nenhuma bomba explodia.
Quando nada nada nada nada se escrevia,
nada nada nada nada nada ninguém lia.
Nada se aprofundava em vã filosofia
de que nada vezes nada o nada zeraria.
Nenhuma coisa nascia.
E coisa alguma seria.
Não-ser em si estaria
negando a própria autoria.
Sem dor nem anestesia.
Um Zeus sem mitologia.
Nada nada nada nada nada nada nada.
Nada nada nada nada nada nada nada nada.
Quando nada era só nada nada em demasia,
nada absoluto nada relativo nada utopia.
Nada dando ao nada corpo e anatomia,
nada no mapa do nada em nova geografia.
O caos seu véu principia.
O oxigênio asfixia.
A gripe vira endemia.
Museu da ecologia.
Água em pó não sacia.
O sol rebenta energia.
O fim enfim se inicia.
O já criado se incria.
E assim no fim nasce o dia.
Nada nada nada nada nada nada nada.
Nada nada nada nada nada nada nada nada.
22 de junho de 2026
SUA BELEZA
SUA BELEZA
Letra e música: Flávio Almeida
Para cantar sua beleza,
loucamente deslumbrante,
posso dizer com certeza,
não sou poeta o bastante.
Para exaltar sua existência,
que a mim desinquieta,
afirmo, e sem sofrência,
sequer me acho poeta.
FLUXO
FLUXO
Letra e música: Flávio Almeida
Estou na idade de aprender a falar
paralelepípedo sem gaguejar.
Leio o jornal de cabeça para baixo,
pois acho que o mundo está mesmo virado.
Quando ficar grande quero crescer bastante
e ser bem mais maior.
Deus é tão perfeito, mas é tão perfeito,
que vê-lo seria afear a sua existência.
Não pensa pra falar, pois quem pensa pra falar,
nunca fala o que não pensa.
Um pássaro fez ninho na minha cabeça.
Nessa ocasião virei estátua.
Só subo em árvores quando não dão frutos;
ai, que preguiça de colher.
Sim, falo com árvores, e elas me respondem
com folhas-palavras.
Ah, se eu soubesse de onde vem a brisa,
mandava alargar a passagem.
Só sei que quando chove os rios e mares
ficam com as águas molhadas.
Quer me dar motivo para te deixar?
Penteie seus cabelos pra ver.
Uma flor-da-noite começa a soltar cheiro
às três e dezoito da tarde.
O dia estava longe quando o alcancei
para desejar boa noite.
Quando eu te vejo, o meu coração
acelera mais que o coração de um beija-flor.
Quando eu te vejo, o meu coração
acelera mais que o coração de um beija-flor.
Quando eu te vejo, o meu coração
acelera mais que o coração de um beija-flor.
21 de junho de 2026
LIGHT SOFT
LIGHT SOFT
Letra e música: Flávio Almeida
Tudo que eu quero você nega,
diz que não ‘tá a fim agora.
Diz que eu ‘tô por fora e alega
que assim ‘cê vai embora.
Se eu vou ao zoo ver os bichos
você já vira uma fera.
Solta da jaula os seus caprichos,
mostra garras de pantera.
REFRÃO
Quando sou on,
você é off.
Você é play,
eu sou stop.
No fim sou light,
você é soft.
Diante da tevê você nem vê
quando do trabalho eu chego.
Mas faz uma novela, fica pê
se eu não lhe faço um chamego.
Nosso amor é grande, eu sei disso,
nós somos dois vem a nós.
Macho e fêmea em louco rebuliço
somos milhares de sóis.
REFRÃO
On, off, play, stop, light, soft.
On, off, play, stop, light, soft.
20 de junho de 2026
A CARTA E O E-MAIL
A CARTA E O E-MAIL
Letra e música: Flávio Almeida
O e-mail que ‘ocê mandou,
tenha certeza que veio,
pois aqui ele chegou,
é bom receber e-mail.
Logo o responderei,
pode deixar que eu o leio.
Logo o responderei,
pode deixar que eu o leio.
Se tudo estiver oquêi,
eu te envio outro e-mail.
Se tudo estiver oquêi,
eu te envio outro e-mail.
O e-mail é ligeiro,
é vapt-vupt, não atrasa.
Mas bom mesmo era o carteiro
trazendo a carta em casa.
O envelope lacrado,
selado e endereçado.
O envelope lacrado,
selado e endereçado.
Às vezes tão aguardado,
ao abri-lo era rasgado.
Às vezes tão aguardado,
ao abri-lo era rasgado.
Malote no bagageiro
de ônibus e avião,
depois de longa viagem
tinha outra emoção.
Chegava o mensageiro
com uma carta na mão.
Chegava o mensageiro
com uma carta na mão.
A leitura da mensagem
disparava o coração.
A leitura da mensagem
disparava o coração.
Nesse mundo virtual,
apressado, imediatista,
dirão: é um tradicional
e um tanto saudosista.
Eu também acho o e-mail
um meio sensacional.
Eu também acho o e-mail
um meio sensacional.
Mas carta pelo correio
tem um tom sentimental.
Mas carta pelo correio
tem um tom sentimental.
O e-mail que ‘ocê mandou,
tenha certeza que veio,
pois aqui ele chegou,
é bom receber e-mail.
18 de junho de 2026
ALÔ PATRÔ 3831
ALÔ PATRÔ 3831
Letra e música: Flávio Almeida
Eu peguei o telefone
- era um dia comum,
e liguei para uma amiga
sem intento algum.
A saudade dá mil razões
ou motivo nenhum.
Zero operadora três quatro
três oito três um.
Não direi os outros números
pra não dar zum-zum.
Minha amiga atendeu
sem nem acreditar
na baita surpresa que eu
lhe causei ao ligar.
Rimos, falando abobrinhas,
coisas de emocionar,
da infância, adolescência
- tanto pra recordar.
Tudo em torno da cidade
que eu sempre hei de amar.
Alô Patrô,
em você vivo a pensar.
Alô Patrô,
nada vai nos separar.
Alô Patrô,
um dia sonho voltar.
Por suas ruas caminhar.
Velhos amigos abraçar.
Em seu solo me plantar.
Em seu colo descansar.
Eu liguei para uma amiga
só pra dar um alô.
Do lado de cá da linha
me senti em Patrô.
NOTÍCIAS DE ONTEM
NOTÍCIAS DE ONTEM
Letra e música: Flávio Almeida
REFRÃO
As notícias de ontem
ficaram velhas.
Tudo é tão veloz.
A vida tão fugaz.
O já vira pós,
é vapt e zás.
A coisa da hora
é peça de museu.
O novo de agora,
era, foi, se perdeu.
REFRÃO
Ao sabor dos ventos,
vida feita de flashs.
Os acontecimentos
são meros splashes.
A roda gigante,
o moinho do Mundo,
têm giro constante
a todo segundo.
REFRÃO
Enter na big rede,
worldwide web,
conecta sua sede
e on-line ela bebe.
Nessa fonte cabe
rios de informação.
Quem pensa que sabe
que tenha opinião.
REFRÃO
As notícias de ontem
ficaram velhas.
AMOR À PRIMEIRA VISTA
AMOR À PRIMEIRA VISTA
Letra e música: Flávio Almeida
Um dia, de repente, assim, do nada,
hei de cruzar com ela por aí.
Vou encontrar a minha namorada,
viver o amor que sempre mereci.
Será urgente, mágico, inesperado
o clique apaixonado da conquista.
Ela emocionada e eu fascinado
curtindo nosso amor à primeira vista.
Onde está meu amor?
O amor que nasceu pra mim?
É o tipo de amor que estremece.
Rola uma química, um frenesi.
E à primeira vista só acontece
se for pela mulher que eu nunca vi.
Só sei que meu olhar está ligado,
igual radar à procura de alguém.
Doidinho para ser apresentado
àquela que ainda será o meu bem.
Onde está meu amor?
O amor que nasceu pra mim?
Eu quero este sentir avassalador.
Ela apaixonada e eu encantado.
Assim de cara encontrar o amor.
Meu coração batendo acelerado.
Coincidência ou conspiração do acaso?
Providência ou destino traçado?
Seja o que for, vamos tirar o atraso,
e a solidão será coisa do passado.
Onde está meu amor?
O amor que nasceu pra mim?
15 de junho de 2026
ELA É DO CONTRA
ELA É DO CONTRA
Letra e música: Flávio Almeida
Seu negócio é zoar, radicalizar.
Até mesmo de si ela quer discordar.
Tão do contra assim é difícil encontrar.
Não insista, desista de querer lhe agradar.
REFRÃO
Ela gosta de polemizar.
Ela bota mesmo pra quebrar.
Quer pegar de surpresa
e ao virar a mesa
deixa tudo de pernas pro ar.
Ela sempre se faz de desentendida
e se acha uma eterna incompreendida.
Chuta pedra com jeito de pê da vida,
e no fundo, no fundo é muito atrevida.
REFRÃO
Rebelde sem causa, deve e não treme.
Solta sempre os cachorros, não é TPM.
Antivaidosa, não faz tipo la femme.
Esnoba o espelho e dispensa creme.
REFRÃO
Faz caras e bocas e por pouco enjoa.
Sem senso de humor, nunca fica de boa.
Quando se inflama perde a brama à-toa
É gata de rua, ruge que nem leoa.
REFRÃO
13 de junho de 2026
VELHOS DITADOS
VELHOS DITADOS
Letra e música: Flávio Almeida
Já ouvi muitos ditados pela vida afora,
frases li em para-choques de caminhões.
Deus melhora a toda hora,
hoje só mama quem chora,
casado também namora, cai em tentações,
quanto mais se reza mais se vê assombrações.
Burro bravo só na espora,
se é mulher feia tô fora,
a vida é mesmo dura para os molengões,
para cada ocasião tem sempre mil ladrões.
Amor é que nem fumaça, vem, sufoca e passa.
Quem suspeita de quem ama envenena o amor.
Velório ruim não tem cachaça.
Faça amor, guerra não faça.
Mulher linda e frete bom eu levo aonde for.
Se o santo é de barro devagar com o andor.
Mais vale um amigo na praça
do que ter dinheiro em caixa.
Quem tem uma amizade que lhe dê valor.
Meia palavra basta pra bom entendedor.
Já ouvi muitos ditados pela vida afora,
frases li em para-choques de caminhões.
QUERO UM AMOR
QUERO UM AMOR
Letra e música: Flávio Almeida
Quero um amor, alguém para amar.
Com simplicidade, ternura no olhar.
Sensível, sincera, me queira seu par.
Viaje sem rota, a fim de sonhar.
Amiga serena, respire meu ar.
Se for de emoção, juntos chorar.
REFRÃO
Quero um amor,
alguém para amar.
Quero um amor, alguém para amar.
Com alegria, certeza ao se dar.
Mulher poesia, vá me inspirar.
Corra o risco e me veja arriscar.
Senhora de si, sem me anular.
Se dê por inteiro, a se completar.
REFRÃO
Quero um amor, alguém para amar.
Noite nos olhos, musa ao luar.
Sol de mulher, aqueça a brilhar.
Se queira feliz, se deixe levar.
Sorrindo me abrace até desmaiar.
Que me dê leveza, a levitar.
REFRÃO
Quero um amor, alguém para amar.
Cheiro, gosto e pele, para acasalar.
Plena de luz, meu céu, terra e mar.
Silêncio que fale e me deixe calar.
Se sinta eterna a me eternizar.
Amada, adorada, fome e manjar.
REFRÃO
9 de junho de 2026
VAYA CON DIOS
VAYA CON DIOS
Letra e música: Flávio Almeida
Essa é minha história com Cristina, una chica argentina.
Gringa muy hermosa, muy cherosa, muy dengosa, um mulherón.
Saliente, caliente, carente, elegante, mas pedante.
Com su sangre porteño se achava sempre a dona da razón.
Vítima da moda, se vestia com gosto discutível.
Niña imprevisível, me abraçava por inteiro e com passión.
Quando, ao seu lado em San Pablo, eu me senti invisível,
entonces eu disse com dolor en mi corazón.
REFRÃO
Vaya con Dios,
vaya con Dios,
oh! meu amor.
Cristina se fuêra, fiquei triste, fui atrás, louco e só.
Donde está Cristina? Sem saber, aproveitei e fiz um tour.
Córdoba, Rosário, Mendoza, Bariloche e Mar del Plata.
Cafés e quiosques, arvoredos, gramados, lindas praças.
Em Buenos Aires vi Cristina en la Plaza del Mayo.
Ela deu de ombros, fez careta, cortou volta, me esnobou.
Vi, ali, na hora, o mapa-múndi era o seu próprio umbigo.
Na maior frieza em portunhol assim falou comigo.
REFRÃO
Confesso, chorei pela argentina, mas não li o La Nación.
Essa minha história dá um tango em solo de acordeón.
Em um vagão vermelho do metrô embarquei de bobeira.
Recuerdos, regalos, Caminito, Boca e La Bombonera.
Na Nuenove de Julio com Corrientes abracei o Obelisco.
A dor por Cristina me guiou em toda essa visita.
Fui ao La Recoleta levei flores ao jazigo de Evita.
Me senti Perón perdido e só sem la sua cabrita.
REFRÃO
7 de junho de 2026
MINHA VIDA
MINHA VIDA
Letra e música: Flávio Almeida
Você na cabeça
Você em meus olhos
Você em meu coração
A melhor parte de mim
Você é tudo pra mim
O meu mundo
Meu resumo o que sou
Eu não vivo sem você
Eu só existo pra você
Minha vida
maravilha o meu amor
Você me tornou melhor
Com um amor sempre maior
UNDELÍRIO
UNDELÍRIO
Letra e música: Flávio Almeida
REFRÃO
O mar é menor que seus olhos.
Seu coração é do tamanho do Mundo.
O mar é menor que seus olhos.
Seu coração é do tamanho do Mundo.
Dúvidas e respostas,
todas em sua cabeça.
Tire o peso das costas
e jamais enlouqueça.
REFRÃO
Esqueça na gaveta
de um criado-mudo
o silêncio careta
que ele é maior que tudo.
REFRÃO
Fogo em noite de lua.
Com serena brancura,
nua, dança na rua
sua amada loucura.
REFRÃO
Ditas bem ou malditas,
entre dores e cores,
as palavras aflitas
viram flores bonitas.
REFRÃO
A CIDADE NUNCA DORME
A CIDADE NUNCA DORME
Letra e música: Flávio Almeida
A cidade enorme
nunca dorme
e seu ritmo
é frenético
eclético
hermético
e antiestético
Elétrico
histérico
sub periférico
Colérico
o tráfico
brilho quilométrico
A cidade grande
mais se expande
e seu índice
é trágico
mágico
fantástico
alt control lógico
Pedágio
relógio
túnel claustrofóbico
Polícia
notícia
o kitsch e o exótico
A cidade segue
nau rio talvegue
e seu caos
deu tilt
Átimo
istmo
rompe nuvem sólida
Gélida
lúcida
de surda acústica
Lúdica
cáustica
desconcreta música
Sonâmbula
bucólica
a cidade atônita
retórica
caótica
viva a morte súbita
A cidade enorme
nunca dorme
NÃO ME ABANDONA
NÃO ME ABANDONA
Letra e música: Flávio Almeida
REFRÃO
Não me abandona.
Não me abandona.
Não me abandona.
Não me abandona.
Que sem ti
fico sem dona,
a solidão
vem à tona,
me nocauteio,
vou à lona,
minha vida,
vira uma zona.
REFRÃO
De cara cult
viro cafona.
Sinto frio
até de japona.
Sem te ver
saudade detona.
Ó rainha
não me destrona.
REFRÃO
Me manda às favas
a resmungona,
Em tudo que eu faço
me espiona,
mas a danada
é gostosona,
mais conservada
que a Madonna.
REFRÃO
Louca por mim,
boba e turrona,
em tudo é
a sabichona,
quando quer
ê mulher pidona,
entre paredes
me aprisiona.
REFRÃO
De meus desejos
é adivinhona,
é só me ver
fica bobona,
se contradiz
toda chorona,
o meu amor
é uma maratona.
REFRÃO
5 de junho de 2026
AMAR
AMAR
Letra e música: Flávio Almeida
Amar,
não apenas o infinitivo
como forma de citação,
mas as formas todas
de conjugação.
Amar,
não transitivo e direto
qual verbo de definição,
mas entre o terno e o físico
ser devoção.
Amar,
não um para o outro
em mútua anulação,
mas ambos gozando o todo
da expansão.
De conjugação.
Ser devoção.
Da expansão.
Amar amar amar
amar.
AS TRIGÊMEAS
AS TRIGÊMEAS
Letra e música: Flávio Almeida
As trigêmeas querendo mostrar certa cultura,
resolveram partir, digamos, pra aventura.
Veronice comprou um quadro pela moldura.
Berenice ficou com o livro por causa da capa dura.
Cleonice não é muito chegada à pintura
e nem muito concentrada para a leitura.
Veronice, Berenice (ela disse): “Isso é loucura!”
“Vamos gastar nosso dindim no salão Beleza Pura”.
Veronice, Berenice e Cleonice.
Impossível saber qual das três é a maior figura.
Berenice, Cleonice e Veronice.
Esse trio inseparável ninguém segura.
Veronice, Berenice e Cleonice.
Berenice, Cleonice e Veronice.
DIGA SINCERAMENTE
DIGA SINCERAMENTE
Letra e música: Flávio Almeida
Se você consegue se imaginar
vinte anos à frente
e se esforça para lembrar
como era antigamente.
Se você sabe se situar
no seu momento presente
e se projeta mudar
seu mundo futuramente.
Se você pensa em tornar
tudo ao seu redor diferente
e se ainda pode sonhar
mesmo realisticamente.
REFRÃO
Responde: como será?
O que não se repetirá?
Como é que você está?
Diga sinceramente:
quanto tempo você poderá
se manter verticalmente?
Se você sabe esperar
um amanhã nem tão urgente
e se viu a vida passar
e é só saudade o que sente.
Se você sai para trabalhar
metódico e rotineiramente
e se decidir parar
e tudo analisar friamente.
Se você os olhos fechar
e um filme volta à mente
e se no lar ou no bar
age muito comumente.
REFRÃO
Se você não quer mais arrastar
nenhum tipo de corrente
e se jogar tudo pro ar
sem se julgar inconsequente.
Se você prefere tentar
racional e planejadamente
e se enfim se encontrar
ao se buscar infinitamente.
Se você se acomodar,
assim, confortavelmente,
e se apenas chorar
e chorar simplesmente.
REFRÃO
MANTRA
MANTRA
Letra e música: Flávio Almeida
Pausa pra ver a lua
Pausa pra descansar
Pausa pra olhar a rua
Pausa pra banda passar
Pausa pra pele nua
Pausa pra respirar
Pausa pra fazer nada
Pausa pra namorar
Pausa pra madrugada
Pausa pra te serenar
Pausa pra mente cansada
Pausa pra rir e chorar
Pausa pra correria
Pausa pra poder pensar
Pausa pra ler poesia
Pausa pra se encontrar
Pausa pra sonhar de dia
Pausa pra se aprofundar
Pausa pra se permitir
Pausa pra nada falar
Pausa pra querer sentir
Pausa pra se avaliar
Pausa pra tentar seguir
Pausa pra continuar
Ter muita calma
A alma pausar
NOVOS VENTOS
NOVOS VENTOS
Letra e música: Flávio Almeida
Deixe o coração sem saber por que
e não me pergunte se já estou pronto.
Amanhã, quem sabe, um dia, talvez.
Você conseguiu quebrar o encanto.
Uma vez perdido, para sempre sou.
Eu não sei fingir se a razão chorou.
Ô ô ô ô... Ô ô ô ô...
Novos ventos sopram, é melhor seguir.
Os caminhos chamam e eu respondo sim.
Quando estou comigo eu me sinto em paz.
Sonhos que se perdem ficam para trás.
Acho que valeu, foi um tempo bom.
O que dei de mim me multiplicou.
Ô ô ô ô... Ô ô ô ô...
4 de junho de 2026
NÃO DOEU NA ALMA
NÃO DOEU NA ALMA
Letra e música: Flávio Almeida
Machucou muito,
feriu com força,
sangrou o peito,
mas não doeu na alma.
Magoou fundo,
traiu um sonho,
marcou pra sempre,
mas não doeu na alma,
só não doeu na alma,
não doeu na alma.
Devassou, transgrediu,
fez perder a calma.
Trespassou, agrediu,
quase deixou trauma,
mas não doeu na alma,
só não doeu na alma,
não doeu na alma.
Não doeu na alma,
não doeu na alma,
não doeu na alma.
3 de junho de 2026
TEREZA
TEREZA
Letra e música: Flávio Almeida
REFRÃO
Tê, Tê, Tê, Tê, Tê, Tê, Tê, Tereza.
Tê, Tê, Tê, Tê, Tê, Tê, Tê, Tereza.
Tereza, vou falar com toda franqueza
Você com essa mania de grandeza
Só tirando onda de burguesa
Pose de nobreza e alteza
Tereza, que pobreza
Tereza, que baixeza
Tereza, que fraqueza
Que tristeza
REFRÃO
Tereza, você me faça a fineza
de não me olhar assim com essa frieza
Que isso já é muita malvadeza
E chega de causar mais estranheza
Tereza é só incerteza
Tereza está na defesa
Tereza, vira a mesa
Sai à francesa
REFRÃO
Tereza de que adianta toda beleza
diante de tanta indelicadeza
fazendo por aí cada proeza
contrariando a sua natureza
Tereza, isso é esperteza
Tereza, foi surpresa
Tereza, a safadeza
não é moleza
REFRÃO
Tereza se apegou à miudeza
e da obsessão ficou freguesa
Presa à armadura é fortaleza
Inflama o ambiente, não é limpeza
Tereza era leveza
Tereza já foi lindeza
Tereza tinha clareza
e pureza
Tê, Tê, Tê, Tê, Tê, Tê, Tê, Tereza.
Tê, Tê, Tê, Tê, Tê, Tê, Tê, Tereza.
1 de junho de 2026
TODOS OS SANTOS
TODOS OS SANTOS
Letra e música: Flávio Almeida
Santa Teresinha, dai-me como minha,
pela vossa graça essa doce gracinha.
Quero essa menina, Santa Catarina,
que ela é meu céu, Santa Isabel.
Pura Santa Helena, desejo essa pequena.
Santa Margarida, ela é minha vida.
É o que eu sempre quis, Santa Beatriz.
É moça de família, ó Santa Cecília.
Por Nossa Senhora, santa mãe de Deus,
não me vejo longe destes olhos seus.
Vigiai os meus, oh! Santa Luzia,
senão posso olhar noutra freguesia.
REFRÃO
Santos santos são.
Não os invocai em vão.
Santos santos são.
Não os invocai em vão.
Guerreiro São Jorge, que eu diga não,
e que negue fogo à donzela e dragão.
Não quero trair, bondoso São Bento,
mas a carne é fraca; será que eu aguento?
Igual São Tomé, só vendo acredito,
mas é tanta mulher, meu São Benedito.
Estou amarrado, qual São Sebastião,
coração flechado, mas me dá comichão.
Mas, São Cipriano, é que eu sou humano.
Faço, São Clarindo, enquanto estou tinindo.
Vou pecar sem grilo, piedoso São Cirilo.
Casto Frei Galvão, mulher é perdição.
REFRÃO
Sou comprometido, discreto São Guido.
Fominha e carente, caro São Vicente.
Valei, São Joaquim, ando sempre a fim.
É, São Lourenço, é só nisso que eu penso.
Sim, meu bom São Brás, é tentação demais.
Olha, São Francisco, não enjeito petisco.
Meu São João Batista, de mim não desista.
Sabe, Santo Inácio, não pense que é fácil.
Grande São Miguel, me ajuda a ser fiel.
Ô São Nicolau, me ensina a ser leal.
São Cosme e Damião, xô com a tentação.
Sublime São Tomáz, tem mulher demais.
REFRÃO
Por fim me dirijo ao bom Santo Antônio:
livrai-me, santinho, do tal matrimônio.
Ouviu, São Gregório? Eu dispenso casório.
E faça, São Luís, com que eu seja feliz.
REFRÃO
FLOR FLORZINHA
FLOR FLORZINHA
Letra e música: Flávio Almeida
REFRÃO
Flor, florzinha.
Flor, florzinha.
Sem tirar nem pôr
te quero só minha.
No jardim do amor
te fazer rainha.
Eu vou te plantar,
regar, ver crescer.
Muito bem cuidar,
depois te colher.
E pra embelezar
o meu viver,
eu vou te dar
pro meu bem-querer.
REFRÃO
Meu bem vai se enfeitar,
ficar linda de morrer.
O cabelo realçar
só vendo pra crer.
A caminho do altar
eu vou te ver.
O sim que eu ganhar
vais receber.
REFRÃO
SAINHA PLISSADA
SAINHA PLISSADA
Letra e música: Flávio Almeida
Coisinha,
menininha
descolada.
Please, please,
veste a sainha
plissada,
com a blusa
de alcinhas
decotada.
No cabelinho,
'cê sabe, nem falo,
faz um rabinho
de cavalo.
Que gracinha,
doce amada,
minha aluninha
aplicada.
ESCOMBROS
ESCOMBROS
Letra e música: Flávio Almeida
Terremotos devastando
cidades inteiras.
Derretem grandes geleiras
no eixo polar.
A água ficando escassa.
Vulcões fazem ameaça.
Tempestades e tufões
vêm para arrasar.
Ondas fortes já demonstram
a fúria do mar.
REFRÃO
Dar de ombros
aos escombros,
tsunamizar
as próprias leis.
Fome e sede,
escassez.
Qual será o país
bola da vez?
O homem não tem controle
sobre o seu planeta.
Tanto é que a natureza
só quer reagir.
Emitindo gases tóxicos
atrai mudanças climáticas.
A ganância desmedida
só faz poluir.
Deus, quantas calamidades
inda estão por vir?
REFRÃO
Os grandes jornais do Mundo
trazem más notícias.
Os grandes jornais do Mundo
trazem mais notícias.
31 de maio de 2026
COLA
COLA
Letra e música: Flávio Almeida
Conheço você desde menina,
a gente estudou na mesma escola.
Eu sempre te vi como a mais linda
e você me dava a maior bola.
Na sala de aula era traquina,
uma estudante enrola-enrola.
“Não vou estudar, não me azucrina”.
“Não gosto, ‘tô fora, dois, três, isola”.
Você despertou em mim
a vontade de amar,
me ensinou a ter desejos
e eu te ajudei a passar.
Você era garota grã-fina
e eu um pobre rapazola.
Estudar era a minha rotina,
guardava tudo na cachola.
Fosse qual fosse a disciplina,
quando era época de prova,
nosso segredo eu guardo ainda:
você só passava se eu desse cola.
DUAS TORRES
DUAS TORRES
Letra e música: Flávio Almeida
Vem vindo lá o primeiro avião,
com a torre norte vai se chocar.
Não, Mohammed, faz isso não,
tenta voar até Islamabad.
Outro avião vem vindo lá,
vai se lançar contra a torre sul.
Ó, Al-Shehhi, em nome de Alá,
desvie a rota para Cabul.
Mujahidin,
vai jogar tudo pro ar
e num jardim
dez virgens você vai bombar.
E enfim,
vai ser a maior jihad.
CONVIVÊNCIA
CONVIVÊNCIA
Letra e música: Flávio Almeida
Sim, havia
mais poesia
na harmonia
Amizade
sintonia
alegria
Todo dia
te ouvia
Com raridade
te via
Com liberdade
te pertencia
A saudade era
uma agonia
Mas convivendo
fui percebendo
e essa verdade
me angustia:
a proximidade
nos distancia
30 de maio de 2026
CORAÇÃO SANGRANDO
CORAÇÃO SANGRANDO
Letra e música: Flávio Almeida
Ontem meu coração se abriu e sangrou
assim que toquei as pétalas de tuas mãos.
E quando meus lábios tocaram os teus,
emocionado suspirei: meu Deus, meu Deus.
O sangrar de meu coração é um rio delirante.
Saudade e febre se confundem em mim.
E quando teus lábios tocaram os meus,
extasiado suspirei: meu Deus, meu Deus.
Meu coração está banhado em sangue.
A líquida paixão me afoga em desejos.
E quando arrebatado suspirei: meu Deus, meu Deus,
teu beijo deu-me o céu e clareou meus breus.
E quando arrebatado suspirei: meu Deus, meu Deus,
teu beijo deu-me o céu e clareou meus breus.
Ontem meu coração se abriu e sangrou.
Saudade e febre se confundem em mim.
E quando arrebatado suspirei: meu Deus,
teu beijo deu-me o céu e clareou meus breus.
TÃO SIMPLES
TÃO SIMPLES
Letra e música: Flávio Almeida
É tudo tão simples, amiga,
deixa fluir a respiração.
Há um ninho de passarinho
bem ao alcance de tua mão.
Com três ovinhos novinhos,
em breve os filhotinhos
vão nascer sob a tua proteção.
É tudo tão fácil, querida,
requer somente muita emoção.
É tudo tão fácil, querida,
requer somente muita emoção.
Tu, à distância, atenta,
cuidadosa e de prontidão,
encantada com o casalzinho
e com a graça da criação.
Até parece que o ninho,
com todo amor e carinho
foi feito dentro do teu coração.
É tudo tão simples, amiga,
só carece manter a mansidão.
É tudo tão simples, amiga,
só carece manter a mansidão.
VOCÊ TEM COM QUEM SE ABRIR?
VOCÊ TEM COM QUEM SE ABRIR?
Letra e música: Flávio Almeida
Ombro amigo pra recostar.
Um cantinho pra dividir.
Mão estendida a se dar.
Palavras fáceis de fluir.
Um colo pra repousar.
Assuntos pra distrair.
Muitos casos pra lembrar.
Coisas boas juntos curtir.
REFRÃO
Você tem com quem chorar?
Você tem com quem sorrir?
Você tem com quem contar?
Você tem com quem se abrir?
Você tem com quem se abrir?
Você tem com quem se abrir?
Braços pra se aconchegar.
Coração que se possa ouvir.
Olhos d'alma pra olhar.
Silêncio pra refletir.
Voz que saiba acalmar.
Jeito certo de conduzir.
Ter razão sem magoar.
Confiança jamais trair.
REFRÃO
Espaço pra se encontrar.
Liberdade pra ir-e-vir.
Tempo pras dores curar.
Ao sonhar não se reprimir.
Apoio se precisar.
Compreensão se explodir.
Sempre em tudo perdoar.
Bálsamo quando se ferir.
Você tem com quem chorar?
Você tem com quem sorrir?
Você tem com quem contar?
Você tem com quem se abrir?
29 de maio de 2026
SORRINDO PARA O SOL
SORRINDO PARA O SOL
Letra e música: Flávio Almeida
Eu te vi de manhã, sorrindo para o sol,
linda, em um vestido azul.
Foi só você passar meu dia começou;
menina, você esbanja luz.
Gosto do seu astral, te ver me faz feliz.
Moça, você é tudo de bom.
Só sabe irradiar a paz que você tem;
olha, você me faz tão bem.
Onde você passa tudo brilha.
Tudo para ao ver você passar.
Eu te fotografo com meus olhos
e de emoção quase choro,
tão linda assim não há.
Você contagia tudo e todos,
com esse seu jeitinho simples
você sabe cativar.
Eu te vi de manhã, sorrindo para o sol,
linda, em um vestido azul.
Foi só você passar meu dia começou;
menina, você esbanja luz.
28 de maio de 2026
SEJA O QUE FOR
SEJA O QUE FOR
Letra e música: Flávio Almeida
Tudo bem.
Agora melhor.
Eu te encontrei.
Se for para durar, que seja infinito.
Se for para o bem, que seja bem-vinda.
Se for para a sorte, que seja grande.
Se for para a vida, que seja longa.
Se for para o sonho, que se realize.
Se for para seguir, que seja sem rumo.
Tudo bem.
Agora melhor.
Eu te encontrei.
Se for para dizer, que seja dito.
Se for para calar, que seja em silêncio.
Se for para chorar, que seja de emoção.
Se for para o futuro, que seja previsto.
Se for para a saúde, que seja em paz.
Se for para perder, que seja o tempo.
Tudo bem.
Agora melhor.
Eu te encontrei.
Se for para mim, que seja exclusiva.
Se for para nós, que seja tão nosso.
Se for para mudar, que seja entre nós.
Se for para partir, que seja sincera.
Se for para o amor, que seja comigo.
Se for para amar, que seja feliz.
Tudo bem.
Agora melhor.
Eu te encontrei.
SOL LILÁS
SOL LILÁS
Letra e música: Flávio Almeida
Ontem te mostrei a lua,
hoje vou te mostrar o sol,
amanhã, dançando na chuva,
eu te mostro quem eu sou.
Peixe, ave,
pedra, planta, fogo e ar.
Louco, ímpar,
fome, corpo, alma sem par.
Chove suor em meus poros,
chove lágrimas no olhar.
Chove som de meteoros,
céu e raios de um sol lilás.
Solto, leve,
sangue, mente e coração.
Livre, belo,
belo caos na imensidão,
vai e vem num voo em vão,
sim de um deus que só diz não.
Ontem te mostrei a lua,
hoje vou te mostrar o sol.
27 de maio de 2026
BRINCADEIRAS DE CRIANÇA
BRINCADEIRAS DE CRIANÇA
Letra e música: Flávio Almeida
Tem sempre uma criança
brincando dentro da gente.
Sua lembrança aliança
entre passado e presente.
Par ou ímpar, estátua, totó,
pipa, aviãozinho de papel.
Corrida de saco, dominó,
amarelinha e passa-anel.
Adivinhas, jogo de botão,
cobra-cega e queimada.
Palitinhos, dama, pião,
morto-vivo e charada.
REFRÃO
Quem um dia não brincou
não sabe o que perdeu.
Pela infância da vida passou,
só passou mas não viveu.
Danças, cantigas, patinete,
boca de forno, bilboquê.
Caça-palavras, detetive e bete,
barra-manteiga, bambolê.
Peteleco, mímica, carrinho
e chicotinho-queimado.
Bolinha de gude, corda, trenzinho,
rolimã e marcha-soldado.
REFRÃO
Quebra-cabeça, parlendas, peteca,
pelada de rua, escolinha.
Trava-língua, memória, boneca,
ioiô, salva-latinha.
Caça-tesouro, forca, casinha,
gol a gol, fincas no rio.
Caiu no poço, cozinhadinha
e telefone sem fio.
REFRÃO
Faz-de-conta, polícia e ladrão,
perna-de-pau, rei e rainha.
Médico, visita, assombração,
prenda e ciranda-cirandinha.
Estilingue, dado, sô lobo,
pique de pegar e de esconder,
vaca-amarela, enganou o bobo...
Por que é que eu fui crescer?
Por que é que eu fui crescer?
Por que é que eu fui crescer?
Viva seu lado criança,
a pura felicidade,
enche a vida de esperança
e o coração de saudade.
Tem sempre uma criança
brincando dentro da gente,
brincando dentro da gente.
24 de maio de 2026
SILÊNCIO MAIOR
SILÊNCIO MAIOR
Letra e música: Flávio Almeida
Tanta coisa pra dizer
e o silêncio foi maior.
Tudo o que podia haver,
tudo o que deixou de ser,
não vivemos o melhor.
O que foi que a gente fez?
Onde foi que a gente errou?
O amor aconteceu,
por um nada se perdeu,
por tão pouco se acabou.
Belo sonho que passou,
de nós dois nada restou,
só a saudade ficou.
Eu bem que tentei falar,
a timidez não deixou.
Cansei de me expressar
com a linguagem do olhar,
mas você não me escutou.
Nem meus gestos e intenções
conseguiram fazê-la ver.
Nem o tanto que me abri
ou o tempo que pedi,
nada disso a fez crer
que eu pudesse merecer
o amor que eu quis ter
e sempre sonhei viver.
Eu busquei o equilíbrio,
você se precipitou.
Eu pedi pra respirar,
mas sua falta de ar
sem querer nos sufocou,
sem saber nos separou,
sem mim você ficou,
sem você estou e vou,
um ser só é o que sou.
LOUCO SONHO DE VERÃO
LOUCO SONHO DE VERÃO
Letra e música: Flávio Almeida
Eu a vi desfilando na praia,
competindo com o sol.
Seu corpo solto na paisagem,
mais lindo que o mar azul.
Longos cabelos ondulados
esvoaçavam mil tons de luz.
REFRÃO
Ela era um anjo bom,
fruto da imaginação.
A visão de calor e praia,
louco sonho de verão.
Ela era um anjo bom,
fruto da imaginação.
A visão de calor e praia,
louco sonho de verão.
Musa, sonho, miragem, sereia,
um ser quase irreal.
Mulher levitando pela areia,
menina sobrenatural.
Esbanjava beleza, leveza,
princesa do litoral.
REFRÃO
Bronzeada, delícia, perfeita,
ninguém nunca viu nada igual.
Ímã de olhares rimando desejos,
fêmea arte final.
Humana maçã de um Deus sem juízo,
pecado mais que original.
REFRÃO
SOLIDÃO A DOIS
SOLIDÃO A DOIS
Letra e música: Flávio Almeida
Se for por amor que você sofre,
tudo o que tentou foi sempre em vão,
chega de sofrer, comece a viver,
é hora de tomar a decisão,
tirar a emoção do coração,
deixar bater mais forte a razão.
Se o que você sente é um vazio
e o ar que respira é de aflição,
um amor assim já chegou ao fim,
o que lhe resta agora é frustração
somada ao medo da separação,
carece de por fim à relação.
Se você se anula o tempo todo,
sua autoestima está no chão,
se sente refém, nada está bem,
não resta esperança ou ilusão,
nem mesmo um fiapo de paixão,
seu corpo é um extinto vulcão.
Se você reluta e segue em frente,
do pouco que tem não abre mão,
por temer perder e se arrepender,
mantém acomodada a situação,
aos sonhos do futuro diz um não
e vai viver a dois a solidão.
Aos sonhos do futuro diz um não
e vai viver a dois a solidão.
NÃO DÁ MAIS
NÃO DÁ MAIS
Letra e música: Flávio Almeida
Eu não te peço mais
gestos, intenções, mil alegações
ou que se sinta em paz.
Nem explicações, ouvir minhas razões,
eu sei que tanto faz.
Insinuações, silêncios e sermões,
acusações banais.
Insatisfações, brigas e perdões,
e as comparações comuns aos casais.
REFRÃO
Eu não te peço mais
nada, nunca mais.
Amor é mar sem cais.
Não sei voltar atrás.
Só o fim nos satisfaz.
Eu não te quero mais.
Eu não te peço mais
nenhum fingimento, falso argumento,
adiamento fugaz.
Colírio ou unguento, Doril ou óleo bento,
nem que traga os jornais.
Tento, reinvento, blasfemo contra o vento,
eu já não me aguento, aliás.
Calo pensamento, escondo sentimento,
a ti me acorrento e sufoco meus ais.
REFRÃO
Eu não te peço mais
reconciliações, falsas declarações,
chavões sempre iguais.
Evitar confissões, boas recordações,
senões sentimentais.
Pausar as agressões, cercar-me de atenções,
soluções irreais.
Nossos corações, ambos tão chorões,
com tantas aflições sofreram demais.
REFRÃO
Eu não te peço mais
manter o juramento, pensar no casamento,
sermos cem por cento normais.
Pintar o apartamento em desmoronamento,
limpar do rompimento nossas digitais.
Arrependimento, deixar no esquecimento
tormentos ciumentos de dois boçais.
Olha, eu lamento, passou o encantamento,
e sem ressentimento eu digo: não dá mais.
REFRÃO
23 de maio de 2026
CORAÇÃO NO VAREJO
CORAÇÃO NO VAREJO
Letra e música: Flávio Almeida
Sem amor, abandonado,
cansado da solidão.
Sem saber o que fazer,
sem ter nada a perder,
pensou numa solução.
Mandou anunciar:
“Mulher, pode levar”.
“Aproveite a promoção”.
“Incrível!” “Imperdível!”
“Melhor impossível!”
“Não tem comparação”.
Dividiu em muitas vezes,
pôs à venda o coração
em suaves prestações,
nas melhores condições,
sem juro ou correção.
Verdadeiro bota fora,
um negócio bom, da hora,
estilo liquidação.
Produto pouco usado,
garantido e aprovado,
aguenta o batidão.
Tanto tempo de carência,
da entrada abriu mão.
Não precisa de avalista,
prazo a perder de vista,
precinho de ocasião.
Esta é pra você, mulher!
Pague só quando puder,
cheque, carnê ou cartão.
Mas se honrar o investimento,
esquece o financiamento,
você não paga um tostão.
Pode informar à praça
que você levou de graça
um valioso coração.
FRÁGEIS PERGUNTAS
FRÁGEIS PERGUNTAS
Letra e música: Flávio Almeida
Quem te olha que eu não sei?
Além de mim quem te deseja?
E o anel que eu te dei?
A tua boca alguém beija?
O espelho te reconhece?
É demorado teu banho?
Alguém aí te merece?
Já te pareço um estranho?
São frágeis perguntas,
nem de respostas carecem.
Trazem tantas lembranças juntas
que em silêncio se esquecem.
O que escrevi, ainda lês?
Saudade de mim não mais?
E meus olhos que não vês?
Tudo ficou para trás?
Estás bem sem meu cheiro?
E a memória das loucuras?
Conservas o meu travesseiro?
Inda manténs tuas juras?
São frágeis perguntas,
nem de respostas carecem.
Trazem tantas lembranças juntas
que em silêncio se esquecem.
22 de maio de 2026
PERDOA MEU JEITO DE SER
PERDOA MEU JEITO DE SER
Letra e música: Flávio Almeida
Se algum mal te fiz não sei.
No que foi que eu te magoei.
Se alguma bandeira eu dei,
errei, falhei, pisei na bola
e agora só estou, fiquei.
Sem querer te deixei no ar.
Te perdi ao me procurar.
Por aí me deixei levar,
distraí, me iludi, me danei,
sem me encontrar.
Eu nem sei mais o que falar.
Se pedir perdão valer,
perdoa mil vezes esse meu jeito
desprotegido de ser.
Mas se quiser, deixa doer,
me esquece e me faz te esquecer.
Afinal eu sempre faço o máximo
por merecer sofrer, perder.
Eu vou sobreviver.
Eu vou sobreviver.
M.S.A.
M.S.A.
Letra e música: Flávio Almeida
Linda moça solitária,
em seu campo afetivo
você é proprietária
de um corpo sem cultivo,
alma latifundiária,
coração improdutivo.
Tenho muito amor pra dar,
vou fazer a ocupação,
minha bandeira fincar,
vermelhinha de paixão,
de você me apossar,
assentar a solidão.
Viver sem amor não dá,
vou me tornar invasor.
Coração ao deus-dará
invadir que nem trator.
Vou fundar o M.S.A. –
Movimento dos Sem Amor.
Quero amor em produção,
por safras de amor eu luto,
desbravar seu coração
que é terreno devoluto
ou por usucapião
ou por simples usufruto.
Seja do jeito que for,
você vai ser o meu bem.
Não sou nenhum infrator,
estou só, você também.
Um coração sem amor
vira terra de ninguém.
Viver sem amor não dá,
vou me tornar invasor.
Coração ao deus-dará
invadir que nem trator.
Vou fundar o M.S.A. –
Movimento dos Sem Amor.
Vou fundar o M.S.A. –
Movimento dos Sem Amor.
21 de maio de 2026
REDUNDÂNCIA
REDUNDÂNCIA
Letra e música: Flávio Almeida
Nós dois juntinhos assim
vai dar muito que falar,
pois quem olha para mim
te vê em meu olhar.
É inerente,
é redundante,
porque a gente
é tão semelhante.
Você e eu,
eu e você.
Você sou eu,
eu sou você.
Amizade e amor,
liberdade e compromisso.
Néctar e beija-flor,
aquilo que deu nisso.
É inerente,
é redundante,
porque a gente
é tão semelhante.
Você e eu,
eu e você.
Você sou eu,
eu sou você.
SE EU CANTASSE EM INGLÊS BABY
SE EU CANTASSE EM INGLÊS BABY
Letra e música: Flávio Almeida
Se eu cantasse em inglês, baby,
você ouviria de mim:
I love you. I love you.
E você me deixaria feliz, baby,
se respondesse assim:
I love you too. I love you too.
Mas nem mesmo em português
a gente consegue expressar.
O nosso amor virou mudez
até na linguagem do olhar.
Se eu cantasse em inglês, baby,
você ouviria de mim:
I love you. I love you.
E você me deixaria feliz, baby,
se respondesse assim:
I love you too. I love you too.
Mas um silêncio entre nós se fez.
Nem a emoção quer mais falar.
Gritos e sussurros da nudez
também resolveram se calar.
PASSARINHAR
PASSARINHAR
Letra e música: Flávio Almeida
Pousa, passarinho, chega de voar.
Fica bem quietinho, vou te observar.
Olha o passarinho! - Te fotografar.
E canta teu canto que eu quero gravar.
Voa o teu canto de tanto cantar.
Canta o teu voo encanto no ar.
Fecha o par de asas e vem descansar.
Para, passarinho, trata de pousar.
Passará pássara.
Pássara passará.
Ela é ave rara, tão rara não há.
E tu só gorjeias exilado lá
no azul, perdido entre ser e estar,
nesse azul tão lindo, céu é teu lugar.
Passará pássara.
Pássara passará.
Todo passarinho, sozinho sem par,
quer fazer um ninho, se acasalar.
Só tu, passarinho, quer passarinhar,
nesse indo e vindo sem nunca chegar,
voando e cantando sem pouso e ficar,
nuvens na cabeça e sol no olhar.
Pousa, passarinho, chega de voar.
Pousa, passarinho, chega de voar.
20 de maio de 2026
PÁSSARO NA ANTENA
PÁSSARO NA ANTENA
Letra e música: Flávio Almeida
Por que é que eu canto
se já me calei tanto?
Só sei que cantando
ando indo e tentando.
E sei onde, como e quando.
Meu canto antigo
de novo contigo.
Cantar de improviso
o suave som sem aviso,
mais que urgente é preciso.
Cantiguinha novinha,
teu sorriso tem covinha.
Teu sorriso me ilumina.
Teu sorriso minha voz afina.
Nada em mim mais desatina.
Canto mais agora,
canto e vale a pena.
Se a alma é sonora,
a voz é plena e serena.
Sou um pássaro na antena.
E essa é a minha cantilena.
Sou um pássaro na antena.
19 de maio de 2026
OLHE BEM AS MONTANHAS
OLHE BEM AS MONTANHAS
Letra e música: Flávio Almeida
Olhe bem as montanhas,
seus tons de verdes e azuis.
São das paisagens
altas viagens,
santos altares do tempo,
traçam as curvas do vento.
Onde primeiro cai a chuva,
têm travesseiros de nuvens.
Livres mirantes,
pedras possantes,
batem as asas cachoeiras,
é quase céu tanta beleza.
Nessa busca de si mesmo,
desafie o próprio medo.
Escale o Mundo,
atinja o topo,
é tão fácil, tudo é simples,
deixa ecoar o silêncio.
Olhe bem as montanhas,
olhe bem as montanhas.
PASSARIM VERDE
PASSARIM VERDE
Letra e música: Flávio Almeida
Olhos brilhando, alegria louca,
bate o coração no céu da boca.
Calma, leveza, vontade de voar,
luzes e magia brincam no ar.
O Passarim Verde docemente cantou.
Isso é o que chamam de amor.
É isso o que chamam de amor.
Saudade inquieta, agonia boa.
Por ciúmes tolos se sofre à-toa.
Qual adolescente volta-se a sonhar,
sonhos que é melhor nem contar.
O Passarim Verde finalmente pousou.
Isso é o que chamam de amor.
É isso o que chamam de amor.
Passarim Verde cantou e pousou.
Passarim Verde jamais se aprisionou.
Canta em liberdade o amor.
Em confiança pousa o amor.