ESSAS COISAS
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida
Pela carne que é pão
e pelo vinho que é sangue.
Pela dádiva do sonho
e pela lúcida esperança.
Pela mágica do nada,
pelo trágico de tudo.
Pela lógica do avesso,
agradeço essa coisa.
Pela íntima certeza,
essa tímida beleza.
Pelo fogo que acendeu
essa dúvida no tempo.
Pelo jogo da rotina,
essa solidão no vento.
Pela busca desde sempre,
pela voz que canta livre,
na manhã de um céu tão claro
agradeço minha vida.
Pelo pássaro que é pedra
e que voa nesse espaço.
Pelo príncipe regente,
quer mandar dentro da gente.
Pela dívida do apreço,
não mereço essa coisa.
Pela doutrina do certo
o errado vive torto.
Pela palavra que lavra
o desejo de meu corpo,
numa noite tão escura
já padeço minha sorte.