26 de setembro de 2026

FORROZEIRA

 

FORROZEIRA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Eu sou branco, sou moreno,
sou de toda cor,
fui criado nesta terra
de Nosso Senhor.
Eu sou fruto proibido
para o nosso amor,
meu padrinho, me ajude
seja donde for.

Já andei de pau de arara,
já vazei na braquiária,
me deixei levar.
Já levei tapa na cara
e já dei surra de vara,
botei pra quebrar.

Sou poeta repentista,
cabra rimador,
Patativa era um amigo,
pai e professor.
Estou correndo da polícia
que desafiou
meu revólver, minha faca,
quis ser vingador.

Abro a boca na verdade
e não levanto falsidade,
pergunte ao doutor.
Já andei de pau de arara,
já levei tapa na cara
e odiei o amor.

Vou entrar num avião
pela primeira vez.
Se eu morrer nessa viagem,
aqui, ó, procês.
Não quero choro
nem vela,
nem missa de mês.
Vou andar de avião
pela primeira vez.

Juro que no meu velório,
beata com choratório
nunca vai casar.
E a filha da beata
vai deixar de papeata
e vai namorar.

Eu sou flor que não se cheira
e posso falar,
quem cair nessa besteira,
vai se envenenar.
Arrenego americano,
ai, meu Deus do céu,
esse tal de rock’roll
confunde o meu cordel.

Quando vou numa cidade
e vejo que a mocidade
já se assanhou.
Hoje tudo é diferente,
não é como antigamente,
tempo bom passou.

A grande filosofia
que é minha paixão,
como disse o Waldick,
“sou cachorro não” .
Meu amigo, me desculpe
tudo que falei,
fui rimando e nessa rima
me desabafei.

Eu sou branco, sou moreno,
sou de toda cor,
fui criado nesta terra
de Nosso Senhor.
Eu sou fruto proibido
para o nosso amor,
meu padrinho, me ajude
seja donde for.