25 de junho de 2026

O NADA

 

O NADA
Letra e música: Flávio Almeida

Quando nada nada nada nada existia,
nada nada nada nada nada nada aqui havia.
Nada nada nada nada era primazia,
nada nada nada nada nada Deus fazia.

Tudo na Terra vazia.
Nem o silêncio se ouvia.
O aquém no além se expandia.
A flor de Eros se abria.
Estrela d’Alva tardia.
Nenhuma bomba explodia.

Quando nada nada nada nada se escrevia,
nada nada nada nada nada ninguém lia.
Nada se aprofundava em vã filosofia
de que nada vezes nada o nada zeraria.

Nenhuma coisa nascia.
E coisa alguma seria.
Não-ser em si estaria
negando a própria autoria.
Sem dor nem anestesia.
Um Zeus sem mitologia.

Nada nada nada nada nada nada nada.
Nada nada nada nada nada nada nada nada.

Quando nada era só nada nada em demasia,
nada absoluto nada relativo nada utopia.
Nada dando ao nada corpo e anatomia,
nada no mapa do nada em nova geografia.

O caos seu véu principia.
O oxigênio asfixia.
A gripe vira endemia.
Museu da ecologia.
Água em pó não sacia.
O sol rebenta energia.
O fim enfim se inicia.
O já criado se incria.
E assim no fim nasce o dia.

Nada nada nada nada nada nada nada.
Nada nada nada nada nada nada nada nada.